Insper 2026.1Questão 33de 60“A escravidão não ocupa mais de duas ou três páginas nos livros didáticos de Portugal, sendo tratada de forma vaga
HistóriaColonização portuguesa: sistema colonial e escravidão indígena e africana
“A escravidão não ocupa mais de duas ou três páginas nos livros didáticos de Portugal, sendo tratada de forma vaga e superficial. Também propagam ideias tortuosas. Por exemplo, quando falam sobre as consequências da escravatura, o único país a ganhar maior destaque é o Brasil e mesmo assim para falar sobre a miscigenação. Por trás disso, está o propósito de destacar a suposta multirracialidade da nossa maior colônia que, neste sentido, seria um exemplo do sucesso das políticas de miscigenação. Na prática, porém, sabemos que isso não ocorreu da forma como é tratada”, questiona a pesquisadora portuguesa Marta Araújo.
(Luis Barrucho. “Ensino de História em Portugal perpetua mito do ‘bom colonizador’ e banaliza escravidão, diz pesquisadora”. www.bbc.com, 31.07.2017. Adaptado.)
A abordagem da escravidão nos livros didáticos portugueses é criticada pela pesquisadora por
- Alternativa A: concentrar-se nos aspectos econômicos do tráfico atlântico e desconsiderar suas implicações sociais.
- Alternativa B: atribuir às colônias europeias o protagonismo na abolição do regime escravista.
- Alternativa C: apresentar o processo escravista como fenômeno restrito ao território africano.
- Alternativa D: destacar a colônia como principal responsável pela manutenção do sistema escravista.
- Alternativa E, a correta: reduzir a complexidade do sistema escravista e vinculá-lo a uma perspectiva positiva da colonização.Resposta
O que a questão pede:
Por que a pesquisadora critica a forma como os livros didáticos portugueses tratam a escravidão.
Onde está no texto:
A escravidão ocupa "duas ou três páginas", tratada "de forma vaga e superficial"; e o único destaque às consequências é a miscigenação no Brasil, apresentada como "exemplo do sucesso das políticas de miscigenação", o que ela diz não ter ocorrido assim. O título da reportagem resume: o ensino perpetua o mito do "bom colonizador".
Por que é a letra E:
Os livros reduzem a complexidade da escravidão (superficial) e a associam a uma visão positiva da colonização (a miscigenação como sucesso).
Por que as outras não:
- A a crítica não é sobre foco econômico.
- B o texto não fala de protagonismo na abolição.
- C os livros falam do Brasil, então não restringem a escravidão à África.
- D o texto não diz que os livros culpam a colônia.
A armadilha:
A letra D inverte a crítica. O problema apontado não é culpar o Brasil, e sim usar o Brasil para mostrar uma colonização supostamente bem-sucedida.
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