FGV 2026.1Questão 49de 60Em diversos reinos e impérios da Antiguidade, o poder político estava associada à divindade, considerada protetora
HistóriaAntiguidade Clássica: Grécia e Roma
Numeração da prova tipo 1.
Em diversos reinos e impérios da Antiguidade, o poder político estava associada à divindade, considerada protetora do soberano e representada por ele na Terra. Em nome dos deuses, o rei governava, impunha as leis, defendia o Estado e garantia a sua prosperidade. Para definir esse tipo de organização político-religiosa, o historiador Flávio Josefo, no século I d.C., utilizou o termo “teocracia”. De origem grega (theos, “deus”, e kratos, “poder”), o conceito refere-se a sistemas em que a soberania é exercida pela divindade, mediada por reis, profetas ou sacerdotes.
As afirmativas a seguir apresentam exemplos de Estados, no passado e no presente, organizados em bases teocráticas, à exceção de uma. Assinale-a.
- Alternativa A: O Estado egípcio foi uma teocracia: o faraó era considerado encarnação divina, filho de Rá (deus do Sol), e reinava sobre o Egito como chefe civil e religioso do Estado.
- Alternativa B, a correta: No Império Romano, o imperador era considerado uma figura divina viva e exercia simultaneamente autoridade religiosa e civil, auxiliado pelos sacerdotes, que subordinavam o governo imperial às leis sagradas.Resposta
- Alternativa C: O império Bizantino adotava o cesaropapismo, uma teologia política que atribuía ao monarca o papel de representante de Deus na Terra: o imperador, ao lado do patriarca de Constantinopla, comandava tanto os assuntos religiosos quanto os civis.
- Alternativa D: Na Idade Média (séculos XI-XIV), a Igreja Católica tentou impor o princípio teocrático ao defender a supremacia do papado sobre o império e sobre os governos civis das cidades e dos Estados.
- Alternativa E: A República Islâmica do Irã, instaurada em 1979, apresenta aspectos teocráticos como a subordinação do poder político à autoridade religiosa do Líder Supremo e ao Conselho dos Guardiões, que supervisiona a conformidade das leis com o Corão.
O que a questão pede:
O exemplo que NÃO é de Estado organizado em bases teocráticas, com a soberania atribuída à divindade e exercida por reis, profetas ou sacerdotes.
Por que é a letra B:
O Império Romano teve culto ao imperador, e vários imperadores foram divinizados depois de mortos. Mas o poder imperial vinha de instituições civis e do exército, e o imperador acumulava o título de sumo pontífice (pontifex maximus), ficando acima dos sacerdotes. A alternativa inverte isso: diz que os sacerdotes subordinavam o governo às leis sagradas. Não havia essa subordinação: o direito romano era civil, e era a religião que ficava sob o controle do Estado.
Por que as outras são exemplos teocráticos:
- A o faraó, filho de Rá, era chefe civil e religioso: o exemplo clássico de teocracia.
- C o cesaropapismo bizantino fazia do imperador o representante de Deus, comandando assuntos religiosos e civis.
- D a Igreja medieval defendeu a supremacia do papado sobre os governos civis, uma tentativa de impor o princípio teocrático.
- E no Irã desde 1979, o poder político é subordinado ao Líder Supremo e ao Conselho dos Guardiões, que conferem as leis com o Corão.
A armadilha:
O culto ao imperador faz o Império Romano parecer teocrático. O ponto que derruba a alternativa é a direção da subordinação: em Roma, a religião servia ao Estado, e não o contrário.
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