Insper 2025.2Questão 10de 60Observa-se o emprego de palavra formada com prefixo que exprime ideia de reciprocidade em

PortuguêsEstrutura e formação das Palavras

Texto das questões 7 a 10

Leia um trecho do livro Criação imperfeita, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder às questões de 07 a 10.

Não é fácil para um cientista abandonar a simetria nos seus estudos dos fenômenos naturais e dos objetos do mundo. Existem pelo menos duas excelentes razões para isso. A primeira é que a simetria é uma ferramenta extremamente poderosa para descrever a Natureza. Da cosmologia à física de partículas, muito do que aprendemos depende, de alguma forma, da manifestação de tipos diversos de simetrias. Sistemas que exibem simetrias são muito mais fáceis de ser analisados matematicamente; equações simétricas têm soluções mais simples. Às vezes, ao impormos um tipo especial de simetria num sistema físico, fazemos previsões que são confirmadas espetacularmente por experimentos. É como se o pensamento humano pudesse antever os mecanismos da Natureza, apreender a estética que existe na ordem natural das coisas. Isso é particularmente verdade na química e na física de partículas. Impondo certos tipos de simetria nas teorias que descrevem como as partículas de matéria interagem entre si, físicos foram capazes de prever a existência de novas partículas, que ainda não eram conhecidas.

A outra razão para o nosso amor pela simetria é a sua beleza. É bem verdade que beleza não é fácil de ser definida, mesmo dentro de um contexto científico. Em geral, uma teoria considerada bela combina simplicidade e poder explanatório: baseada num número mínimo de suposições, é capaz de explicar uma grande variedade de fenômenos naturais. Uma teoria bela é, também, mais próxima de uma teoria perfeita: se uma das peças é removida, o edifício inteiro despenca. Como Weinberg escreveu em Sonhos de uma teoria final: “A beleza que encontramos em teorias como a relatividade geral ou o Modelo Padrão [das partículas elementares] é como a beleza conferida a algumas obras de arte, que são ditas belas pelo senso de inevitabilidade que têm — o senso de que não é possível mudar sequer uma nota ou uma pincelada ou uma linha.”

É muito importante que o leitor compreenda que este livro não é um manifesto contra a simetria. Isso seria tanto tolo quanto errado. A simetria é, e continuará a ser, um ingrediente fundamental de nossas teorias. Ela simplifica as coisas e, ao menos no senso definido acima, nossas teorias físicas são belas também. Muitas estruturas na Natureza são simétricas. Basta olharmos para um girassol, uma formiga ou um cristal de quartzo para apreciarmos isso. O problema começa quando a noção de simetria é exagerada e entronizada como dogma.

(Criação imperfeita: cosmo, vida e o código oculto da natureza, 2024. Adaptado.)

Mesmo texto:78910

Observa-se o emprego de palavra formada com prefixo que exprime ideia de reciprocidade em:

  1. Alternativa A: “previsões que são confirmadas espetacularmente por experimentos” (1º parágrafo).
  2. Alternativa B: “se o pensamento humano pudesse antever os mecanismos da Natureza” (1º parágrafo).
  3. Alternativa C, a correta: “teorias que descrevem como as partículas de matéria interagem entre si” (1º parágrafo).Resposta
  4. Alternativa D: “Uma teoria bela é, também, mais próxima de uma teoria perfeita” (2º parágrafo).
  5. Alternativa E: “se uma das peças é removida, o edifício inteiro despenca” (2º parágrafo).
Resolução do Jazz

O que a questão pede:

A palavra formada com prefixo de reciprocidade.

Por que é a letra C:

"Interagem" tem o prefixo inter-, que indica ação mútua, entre dois ou mais. As partículas agem umas sobre as outras, e o texto até reforça: "interagem entre si".

Por que as outras não:

  • A "confirmadas": o prefixo con- indica companhia ou reforço, não reciprocidade.
  • B "antever": ante- indica anterioridade (ver antes).
  • D "perfeita": per- indica totalidade.
  • E "removida": re- indica repetição ou retrocesso.

A armadilha:

"Confirmar" também tem prefixo, e pode lembrar "junto". Mas junto não é mútuo: reciprocidade é o sentido de inter-.

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