Insper 2026.1Questão 7de 60Em conformidade com a norma-padrão da língua e com o sentido do texto, o pronome sublinhado em “A gestão pública

PortuguêsPeríodo Composto

Texto das questões 4 a 8

Em janeiro de 2026, a juventude das periferias de São Paulo enfrenta um paradoxo cruel: a cidade é o motor econômico do país, mas o caminho até a escola ou ao trabalho é uma corrida de obstáculos. Enquanto o senso comum diz que "não há verba", a realidade técnica revela uma escolha política. A crise do transporte público coletivo no Brasil não é um acidente, mas o resultado de um sistema rodoviarista que, historicamente, priorizou o transporte sobre pneus em detrimento de sistemas de alta capacidade.

O modelo atual de São Paulo, baseado em uma lógica de mercado que chamamos de Logística 4.0, trata o estudante como "massa" ou "carga viva" a ser movimentada pelo menor custo operacional possível. A eficiência, medida por planilhas de custo, ignora a dignidade humana. O jovem perde tempo de vida no trânsito porque a falha do sistema não é técnica; como argumentamos em pesquisa, ela é ontológica: falha em sua missão humana. A miopia da Logística 4.0 revela-se quando o transporte público cumpre horários rastreados por algoritmos, mas falha em sua missão humana de garantir o bem-estar coletivo.

O tempo de deslocamento médio em grandes cidades brasileiras pode ultrapassar duas horas, segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). Para o jovem da escola pública, esse tempo é um custo de oportunidade elevado, um roubo do tempo de estudo, lazer e descanso. Esse "pedágio de vida" é um marcador de classe social, uma forma de exclusão que impede o acesso à faculdade ou ao primeiro emprego.

O urbanista Eduardo Alcântara de Vasconcellos alerta que a rede de transporte deve ser dinâmica para evitar a exclusão das periferias. A ausência de um alinhamento entre os diferentes órgãos gestores impede uma análise sistêmica que integre a gestão do trânsito com a função social do transporte, o que impede a democratização do espaço viário, impactando negativamente a produtividade urbana e a qualidade de vida.

A gestão pública da mobilidade deve ser compreendida como um tema transversal, onde o Estado reassume o protagonismo estratégico. Propomos a classificação da logística urbana como uma Infraestrutura de Suporte à Vida (ISV), no mesmo nível de saneamento básico.

O futuro da ciência do fluxo reside na orquestração de movimentos que respeitem a escala humana. A Logística 5.0 define-se como a ética do movimento: um compromisso técnico e social que transforma a circulação de massa e energia em suporte fundamental à soberania coletiva. O seu papel, jovem estudante, é cobrar essa transparência radical.

(Eduardo Facchini e Mariana Domingues Facchini. "Por que a ciência prova que o modelo de transporte de SP falhou (e como o SUM 5.0 é a solução)?". https://diplomatique.org.br, 10.02.2026. Adaptado.)

Mesmo texto:45678

Em conformidade com a norma-padrão da língua e com o sentido do texto, o pronome sublinhado em “A gestão pública da mobilidade deve ser compreendida como um tema transversal, onde o Estado reassume o protagonismo estratégico” (5º parágrafo) pode ser substituído por:

  1. Alternativa A, a correta: em que.Resposta
  2. Alternativa B: que.
  3. Alternativa C: aonde.
  4. Alternativa D: o qual.
  5. Alternativa E: a que.
Resolução do Jazz

O que a questão pede:

Por qual forma trocar "onde" em "um tema transversal, onde o Estado reassume o protagonismo", respeitando a norma-padrão.

Por que é a letra A:

Na norma-padrão, "onde" se refere a lugar físico. "Tema transversal" não é lugar, então o pronome adequado é "em que" (ou "no qual"): "um tema transversal, em que o Estado reassume o protagonismo". A preposição "em" é exigida porque o Estado reassume o protagonismo no tema.

Por que as outras não:

  • B "que" perde a preposição necessária.
  • C "aonde" indica movimento ("aonde você vai"), e não há movimento.
  • D "o qual" também sem preposição.
  • E "a que" traz a preposição errada.

A armadilha:

Achar que "o qual" resolve por ser mais formal. Falta a preposição: o certo seria "no qual", que não está nas alternativas.

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1 de 3
Pergunta

Qual é a restrição do relativo 'onde'?

Período Composto

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