Santa Casa 2026.2Questão 5de 80Na linguagem poética, visando obter maior expressividade, pode-se empregar um tempo verbal em lugar de outro, a exemplo
Língua PortuguesaMorfologia
Numeração da versão 1.
Texto das questões 1 a 5
Leia o soneto de Luís de Camões para responder às questões de 01 a 05.
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana¹ bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
Lírica, 1997.
¹ serrana: camponesa.
Na linguagem poética, visando obter maior expressividade, pode-se empregar um tempo verbal em lugar de outro, a exemplo do que ocorre no seguinte verso:
- Alternativa A: “E a ela só por prêmio pretendia.” (1ª estrofe)
- Alternativa B: “Vendo o triste pastor que com enganos” (3ª estrofe)
- Alternativa C: “Mas não servia ao pai, servia a ela,” (1ª estrofe)
- Alternativa D: “Passava, contentando-se com vê-la;” (2ª estrofe)
- Alternativa E, a correta: “Dizendo: — Mais servira, se não fora” (4ª estrofe)Resposta
O que a questão pede: o verso em que um tempo verbal ocupa o lugar de outro.
Por que é a letra E: "Mais servira, se não fora" usa o pretérito mais-que-perfeito do indicativo com valor de futuro do pretérito: servira = serviria, e fora = fosse. É a hipótese de Jacó, expressa com um tempo que, na norma, indica passado anterior a outro passado.
Por que as outras não:
- A "pretendia" é pretérito imperfeito com seu valor normal: desejo contínuo no passado.
- B "Vendo" é gerúndio com valor próprio, sem troca de tempo.
- C "servia" é imperfeito indicando ação habitual no passado, uso normal.
- D "Passava" e "contentando-se" também têm valor próprio: rotina no passado.
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