FGV 2026.2Questão 28de 60Texto para as questões de 28 a 30 SINFONIAS DO OCASO Musselinosas como brumas diurnas Descem do ocaso as sombras

LiteraturaSimbolismo

Numeração da prova tipo 1.

Texto para as questões de 28 a 30

SINFONIAS DO OCASO

Musselinosas como brumas diurnas
Descem do ocaso as sombras harmoniosas,

Sombras veladas e musselinosas

Para as profundas solidões noturnas.

Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
Os céus resplendem de sidéreas rosas,

Da Lua e das Estrelas majestosas

Iluminando a escuridão das furnas.

Ah! por estes sinfônicos ocasos
A Terra exala aromas de áureos vasos,

Incensos de turíbulos divinos.

Os plenilúnios mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram

Cítaras, harpas, bandolins, violinos...

(Cruz e Sousa, Broquéis)

Aplica-se ao poema, sobretudo, o preceito poético que está em:

  1. Alternativa A, a correta: A música antes de qualquer coisa.Resposta
  2. Alternativa B: O poema como joia de alta ourivesaria.
  3. Alternativa C: Os clássicos da Antiguidade como o modelo por excelência.
  4. Alternativa D: Fugere urbem (fugir das cidades).
  5. Alternativa E: Docere et delectare (ensinar e agradar).
Resolução do Jazz

O que a questão pede: identificar o preceito poético que mais se aplica a "Sinfonias do ocaso", de Cruz e Sousa (Broquéis, marco inicial do Simbolismo brasileiro).

Etapa 1. A musicalidade do poema:

O título já anuncia música ("Sinfonias"), e o poema termina numa orquestra: "E como que no Azul plangem e choram / Cítaras, harpas, bandolins, violinos...". Mais que tema, a música está na forma: aliterações e assonâncias como "Musselinosas como brumas diurnas", "Sombras veladas e musselinosas", "Sacrários virgens, sacrossantas urnas", em que os sons sibilantes e nasais criam uma melodia vaga, de sugestão, e não de descrição precisa.

Etapa 2. O preceito:

"A música antes de qualquer coisa" é o verso inicial da "Arte poética" de Verlaine, lema do Simbolismo: o poema deve sugerir pela sonoridade, valorizando o ritmo e o som das palavras acima do sentido lógico. É exatamente o que o poema faz.

Por que as outras caem:

  • (B) O poema como joia de ourivesaria é ideal parnasiano, da forma lapidada e objetiva, não da sugestão vaga.
  • (C) Os clássicos como modelo por excelência é princípio do Classicismo e do Arcadismo, retomado pelo Parnasianismo.
  • (D) Fugere urbem é tópico árcade de fuga para o campo; o poema não opõe cidade e natureza.
  • (E) Docere et delectare, de Horácio, é preceito clássico de utilidade moral, estranho ao Simbolismo.

Resposta: alternativa A.

Confere com o gabarito oficial preliminar da FGV. Ver o caderno da banca

Simbolismo

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