FGV 2026.2Questão 30de 60(Texto da questão 28.) A presença de elementos místico-religiosos no poema deve-se, sobretudo
LiteraturaSimbolismo
Numeração da prova tipo 1.
(Texto da questão 28.)
A presença de elementos místico-religiosos no poema deve-se, sobretudo,
- Alternativa A: à rígida educação luterana do poeta catarinense.
- Alternativa B, a correta: ao apreço simbolista pelo mistério e pela transcendência.Resposta
- Alternativa C: à ausência de cultos afro-brasileiros no sul do Brasil.
- Alternativa D: ao projeto de conferir ao poema um feitio de oração.
- Alternativa E: à intenção de introduzir o leitor em um rito de iniciação.
O que a questão pede: explicar a presença de elementos místico-religiosos no poema.
Etapa 1. Os elementos:
O vocabulário litúrgico atravessa o texto: "Sacrários virgens, sacrossantas urnas", "turíbulos divinos", "Incensos", os "céus" que "resplendem", o "Azul" onde "plangem e choram" os instrumentos. O pôr do sol é transformado numa cerimônia sagrada.
Etapa 2. A razão:
O Simbolismo reage ao materialismo e ao cientificismo do fim do século XIX e busca o que está além do mundo sensível: o mistério, o inefável, o transcendente. O vocabulário religioso é um meio de sugerir essa dimensão espiritual, e não expressão de um credo ou ritual concreto. Em Cruz e Sousa, a obsessão por imagens de pureza, brancura e elevação está ligada a esse anseio de transcendência.
Por que as outras caem:
- (A) A explicação é estética, ligada à escola literária, não à formação religiosa do poeta; nada no poema remete a doutrina luterana.
- (C) Não há relação entre o vocabulário do poema e a ausência de cultos afro-brasileiros; a hipótese não tem base no texto.
- (D) O poema não é oração: não se dirige a uma divindade nem faz súplica; descreve o crepúsculo com imagens sagradas.
- (E) Não há roteiro de iniciação nem leitor conduzido por etapas rituais; os termos religiosos criam atmosfera.
Resposta: alternativa B.
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