O que a questão pede: explicar como tráfico e plantation serviam à lógica mercantilista e ligar isso ao debate atual sobre reparações, com um argumento a favor e um contra.
a)
A lógica do mercantilismo: o Estado metropolitano buscava acumular riqueza (metais, balança comercial favorável). A colônia existia como complemento da economia da metrópole, sob o exclusivo metropolitano (pacto colonial): só podia comerciar com ela, vendendo barato o que produzia e comprando caro o que consumia.
O papel da plantation: a produção colonial organizou-se em latifúndios monocultores voltados à exportação de gêneros tropicais, como o açúcar no Brasil e no Caribe. Era uma produção em grande escala, que só se viabilizava com muita mão de obra barata e compulsória: o trabalho escravo.
O papel do tráfico: o tráfico transatlântico abastecia a plantation de trabalhadores e era, ao mesmo tempo, um dos ramos mais lucrativos do comércio colonial. O lucro ficava com traficantes metropolitanos e, no caso do Brasil, também com comerciantes do Rio de Janeiro e de Salvador ligados a Angola e à Costa da Mina. Ou seja, a escravidão africana gerava lucro duas vezes: no comércio de pessoas e no que elas produziam. O Texto II mostra o peso do Brasil nesse circuito (40% a 46% dos africanos desembarcados nas Américas) e o anúncio do Texto I mostra a pessoa escravizada tratada como mercadoria, alugada, vendida e caçada quando fugia.
b)
A ligação com o presente: a riqueza acumulada pelo tráfico e pela plantation financiou Estados, fortunas e instituições (as universidades citadas no Texto III), enquanto a população escravizada e seus descendentes saíram da escravidão sem terra, indenização ou acesso à educação. No Brasil, a Lei Áurea (1888) não foi acompanhada de política de integração, e a desigualdade racial atravessou o século XX. É sobre essa continuidade que se apoia a ideia de reparação.
Um argumento favorável: os efeitos da escravidão não ficaram no passado; aparecem hoje na diferença de renda, escolaridade, acesso a cargos e exposição à violência entre brancos e negros. Políticas como as cotas nas universidades e no serviço público corrigem uma desigualdade de oportunidade produzida historicamente, e Estados e instituições que lucraram com o sistema têm responsabilidade em repará-lo.
Um argumento contrário: séculos depois, é difícil definir quem deve pagar e quem deve receber, já que as gerações atuais não praticaram nem sofreram diretamente a escravidão; reparações financeiras teriam custo alto e critérios de difícil aplicação numa sociedade miscigenada. Por isso, há quem defenda políticas universais, baseadas em renda e escola pública, em vez de critério racial.
Na correção: vale qualquer par de argumentos bem fundamentado, desde que um seja a favor e outro contra.