Insper 2026.2Questão 34de 60Em 1938, o primeiro artigo do regulamento proposto pela União das Escolas de Samba dizia o seguinte: De acordo
HistóriaA Era Vargas: Modernização e Autoritarismo
Numeração da versão 1.
Em 1938, o primeiro artigo do regulamento proposto pela União das Escolas de Samba dizia o seguinte: De acordo com a música nacional, as escolas não poderão apresentar os seus enredos no carnaval, por ocasião dos préstitos¹, com carros alegóricos ou carretas, assim como não serão permitidas histórias internacionais em sonhos ou imaginação. É evidente que o clima de exaltação nacionalista e o controle ideológico estabelecido pela ditadura motivaram essa decisão dos sambistas. O governo criou uma situação propícia à exigência de temas nacionais. A decisão nesse sentido partiu, porém, do mundo do samba e certamente agradou aos homens do poder. Foi esse polêmico artigo do regulamento que gerou a desclassificação, no carnaval seguinte, da Vizinha Faladeira. A escola desfilou com o enredo Branca de Neve, baseado no desenho de Walt Disney. A comissão de carnaval considerou que a escola usara uma lenda internacional e puniu a agremiação.
(Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa. Samba de enredo: história e arte, 2025. Adaptado.)
¹ préstito: grande número de pessoas caminhando juntas.
A regulamentação das escolas de samba tratada no excerto demonstra que
- Alternativa A: as manifestações populares permaneceram protegidas da influência do governo ditatorial.
- Alternativa B: o governo determinou diretamente os critérios adotados pelas escolas de samba.
- Alternativa C: as práticas nacionalistas restringiram-se às iniciativas promovidas pelo governo.
- Alternativa D, a correta: o contexto político favoreceu a adoção de práticas alinhadas ao nacionalismo oficial.Resposta
- Alternativa E: a intervenção estatal sobre a cultura dispensava a adesão de outros setores da sociedade.
O que a questão pede: o que a regra de 1938 (enredos só com temas nacionais) revela sobre a relação entre o samba e a ditadura do Estado Novo.
Onde está no texto: "O governo criou uma situação propícia à exigência de temas nacionais. A decisão nesse sentido partiu, porém, do mundo do samba e certamente agradou aos homens do poder."
Por que é a letra D: o texto separa duas coisas. Quem escreveu a regra foram os sambistas; quem criou o ambiente que tornava essa regra conveniente foi o governo de Vargas, com sua exaltação nacionalista e seu controle ideológico. O resultado é uma prática cultural que se alinha ao nacionalismo oficial sem que o Estado precise impor nada por decreto. A letra D diz exatamente isso: o contexto político favoreceu a adoção.
Por que as outras não:
- A o clima criado pela ditadura "motivou essa decisão dos sambistas": houve influência, e forte.
- B contradiz o trecho central: a decisão "partiu do mundo do samba", não de uma ordem direta do governo.
- C o caso mostra o nacionalismo sendo praticado fora do governo, por iniciativa de uma entidade da sociedade.
- E o episódio mostra o oposto: o projeto cultural do regime ganhou força justamente porque outros setores aderiram a ele.
A armadilha: o erro mais provável é marcar B, por associar ditadura a imposição direta. A palavra "porém" no texto existe para barrar essa leitura: o governo criou as condições, e os próprios sambistas fizeram a regra.
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