Insper 2026.2Questão 41de 60Após mais de 15 anos de espera por um processo paralisado de demarcação de terras, em 2024 o povo indígena Borari
GeografiaGeografia Agrária: sistemas agrícolas, campos brasileiros, estrutura fundiária e lutas no campo
Numeração da versão 1.
Após mais de 15 anos de espera por um processo paralisado de demarcação de terras, em 2024 o povo indígena Borari, de Alter do Chão (PA), decidiu fazer por conta própria o mapa de seu território.

(www.revistapesquisa.fapesp.br, 2025.)
Considerando o contexto apresentado, a elaboração do mapa pelo povo Borari representa a
- Alternativa A: transformação das aldeias em unidades de conservação.
- Alternativa B, a correta: valorização do conhecimento territorial produzido pelos indígenas.Resposta
- Alternativa C: substituição da demarcação oficial pela demarcação indígena.
- Alternativa D: ampliação da exploração econômica mediante acordos privados.
- Alternativa E: incorporação do território indígena ao patrimônio estadual.
O que a questão pede: o significado de um povo indígena mapear o próprio território enquanto a demarcação oficial segue parada.
Onde está no mapa: a legenda distingue duas linhas, a "Delimitação FUNAI/INCRA" e a "Autodemarcação terra indígena Borari", e marca os "pontos de referência Borari" (pontas, aldeias, lugares nomeados pela comunidade). A autodemarcação avança sobre o rio Tapajós, área que a delimitação oficial não cobre.
Por que é a letra B: o mapa é feito a partir do que os Borari sabem sobre o lugar onde vivem: os pontos que usam como referência, os limites que reconhecem, os trechos de rio que fazem parte da sua vida. Esse tipo de mapeamento feito pela própria comunidade é chamado de cartografia social ou participativa. Ele transforma em documento um conhecimento territorial que o mapa oficial não registrava e dá ao povo um instrumento para reivindicar a terra.
Por que as outras não:
- A unidade de conservação é outra categoria de área protegida, voltada à preservação ambiental; o que está em jogo é terra indígena.
- C o mapa não tem efeito legal de demarcação: a demarcação de terras indígenas é atribuição do Estado. A autodemarcação pressiona o processo oficial, não o substitui.
- D nada no texto ou no mapa fala em acordos com empresas; a iniciativa busca proteger o território.
- E terras indígenas são bens da União, de usufruto dos povos que as ocupam; não passam ao patrimônio do estado.
A armadilha: o erro mais provável é marcar C, porque o texto diz que o povo agiu "por conta própria" diante de um processo paralisado. Fazer o próprio mapa é um ato político e de conhecimento; substituir a demarcação oficial é algo que ele não pode fazer.
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