Insper 2026.2Questão 42de 60Texto 1 Todos os dias é um vai e vem A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra
Filosofia e SociologiaA Passagem do Mito ao Logos
Numeração da versão 1.
Texto 1
Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E é assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega é o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
(Milton Nascimento e Fernando Brant. “Encontros e despedidas”. https://open.spotify.com)
Texto 2
Embora conhecido, na tradição filosófica, como “o pensador da mudança”, Heráclito crê na existência de algo primordial e unitário que persiste e explica a contínua transitoriedade manifestada pelas coisas da experiência.
(Maria Carolina Alves dos Santos. “A lição de Heráclito”. Trans/Form/Ação, 1990. Adaptado.)
As reflexões presentes nos textos 1 e 2 destacam a
- Alternativa A, a correta: transformação contínua da realidade como característica da existência.Resposta
- Alternativa B: existência de uma ordem imutável que orienta o destino das pessoas.
- Alternativa C: repetição como evidência de que tudo retorna sempre ao mesmo ponto.
- Alternativa D: influência das escolhas individuais na definição do destino humano.
- Alternativa E: busca da verdade por meio do diálogo e da argumentação racional.
O que a questão pede: o ponto em comum entre a canção e o comentário sobre Heráclito.
Onde está no texto: na canção, "todos os dias é um vai e vem" e "chegar e partir são só dois lados da mesma viagem". No texto 2, Heráclito é "o pensador da mudança" e fala da "contínua transitoriedade manifestada pelas coisas da experiência".
Por que é a letra A: Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, é lembrado pela ideia de que tudo flui: a realidade está em permanente devir, e os opostos (dia e noite, vida e morte) fazem parte de um mesmo processo. A canção diz o mesmo com a imagem da estação: gente que chega, gente que parte, encontro que já é despedida. Nos dois textos, o que marca a existência é o movimento, a passagem, a transformação que não para.
Por que as outras não:
- B o texto 2 fala em algo unitário que "persiste e explica" a mudança, mas não em uma ordem que conduz o destino das pessoas; e a canção não trata de nada imutável.
- C a "vida se repete na estação" porque o movimento de chegadas e partidas não cessa, não porque tudo volte ao mesmo ponto: há "gente que vai pra nunca mais".
- D nenhum dos textos discute escolha individual ou destino.
- E diálogo e argumentação como caminho para a verdade remetem a Sócrates, não a Heráclito, e não aparecem na canção.
A armadilha: o erro mais provável é marcar B, lendo só a segunda metade do texto 2 ("algo primordial e unitário que persiste"). Esse princípio, em Heráclito, é o que explica a mudança, não o que a nega; e a letra B ainda acrescenta um "destino das pessoas" que não está em texto nenhum. A pergunta pede o que os dois textos destacam, e a canção só fala de transitoriedade.
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