Insper 2026.2Questão 43de 60Filosofia e Religião são excludentes, metodologicamente excludentes: a Filosofia, por definição, só admite
Filosofia e SociologiaDo Refúgio Interior à Lei da Razão
Numeração da versão 1.
Filosofia e Religião são excludentes, metodologicamente excludentes: a Filosofia, por definição, só admite a argumentação racional e exclui qualquer concessão à autoridade. A Religião, por sua vez, afirma a autoridade: o dogma expressa a revelação de um mistério inapreensível racionalmente e afirmado pela fé. Então, como ser simultaneamente filósofo e religioso? Agostinho, principalmente Agostinho, elabora a questão de maneira extraordinariamente bem-sucedida.
(José Carlos Estêvão. “Afinal, para que serve a Filosofia Medieval?” Cadernos de Filosofia Alemã, 2011. Adaptado.)
No excerto, Agostinho é apresentado como um filósofo de destaque por
- Alternativa A: rejeitar a contribuição da filosofia grega para o pensamento cristão.
- Alternativa B: fundamentar o conhecimento na observação da natureza.
- Alternativa C, a correta: conciliar a reflexão filosófica com a crença religiosa.Resposta
- Alternativa D: defender a superioridade da razão sobre a fé.
- Alternativa E: dispensar a investigação racional diante das verdades religiosas.
O que a questão pede: por que o excerto destaca Agostinho.
Onde está no texto: depois de dizer que Filosofia (razão) e Religião (autoridade e fé) se excluem pelo método, o autor pergunta "como ser simultaneamente filósofo e religioso?" e responde que Agostinho "elabora a questão de maneira extraordinariamente bem-sucedida".
Por que é a letra C: o mérito atribuído a Agostinho é ter conseguido ser as duas coisas ao mesmo tempo, isto é, ter articulado razão e fé. Agostinho de Hipona, principal nome da Patrística, usou a filosofia de inspiração platônica para pensar os conteúdos do cristianismo. Para ele, a fé vem primeiro e a razão trabalha para compreender aquilo em que se crê: crer para entender, e entender para crer melhor. As duas colaboram em vez de se anularem.
Por que as outras não:
- A Agostinho fez o contrário: incorporou a filosofia grega, sobretudo a tradição platônica, ao pensamento cristão.
- B partir da observação da natureza é o caminho empirista, de inspiração aristotélica; em Agostinho, o conhecimento da verdade vem da interioridade e da iluminação divina.
- D em Agostinho a fé tem precedência; e colocar um lado acima do outro não seria resolver o "simultaneamente" do texto.
- E dispensar a razão seria ficar apenas com a religião, e o texto o apresenta como filósofo.
A armadilha: as letras D e E são os dois extremos que o texto descarta ao pedir as duas coisas juntas. O erro mais provável é marcar E, por lembrar que para Agostinho a fé vem antes; vir antes não significa dispensar a razão.
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