Insper 2026.2Questão 45de 60O sociólogo Douglas Alexandre Santos trabalhou como cicloentregador por seis meses, entre 2023 e 2024, como parte da sua
Filosofia e SociologiaTrabalho e Emprego: do Escravizado ao Assalariado
Numeração da versão 1.
O sociólogo Douglas Alexandre Santos trabalhou como cicloentregador por seis meses, entre 2023 e 2024, como parte da sua pesquisa de mestrado. A experiência revelou, segundo o pesquisador, um sistema de trabalho em que o algoritmo não perdoa a prudência. Pelo contrário, ele diz que os prazos curtos do aplicativo forçam os entregadores a cometerem infrações e arriscarem a própria vida no trânsito, se quiserem garantir a entrega. “É um trabalho muito perigoso. E as plataformas não têm nenhum tipo de concernimento sobre a segurança do trabalho, sobre a integridade das pessoas e dos jovens negros que exercem essas ocupações”, afirma.
(Rute Pina. www.bbc.com, 04.05.2026. Adaptado.)
A situação descrita no excerto evidencia que as transformações nas relações de trabalho
- Alternativa A: reduziram a insegurança no exercício profissional por meio das tecnologias digitais.
- Alternativa B: garantiram autonomia na definição das condições de trabalho.
- Alternativa C: amenizaram as desigualdades sociais ao ampliar as oportunidades de emprego.
- Alternativa D, a correta: agravaram os riscos ocupacionais associados à busca por maior produtividade.Resposta
- Alternativa E: ampliaram a estabilidade no emprego por meio do fácil acesso às plataformas digitais.
O que a questão pede: o que o relato do pesquisador mostra sobre o trabalho por aplicativo.
Onde está no texto: "o algoritmo não perdoa a prudência"; "os prazos curtos do aplicativo forçam os entregadores a cometerem infrações e arriscarem a própria vida no trânsito".
Por que é a letra D: o texto descreve o trabalho em plataformas digitais, fenômeno que a Sociologia chama de uberização. O entregador não tem vínculo de emprego nem as proteções que vêm com ele, e quem define ritmo, prazo e remuneração é o algoritmo. Como o ganho depende de entregar mais em menos tempo, a pressão por produtividade empurra o trabalhador para o risco, e o custo do acidente fica com ele. É a precarização do trabalho: mais risco ocupacional em troca de mais entregas.
Por que as outras não:
- A o relato mostra a tecnologia aumentando a insegurança: "é um trabalho muito perigoso".
- B a autonomia é o discurso das plataformas; no texto, quem impõe os prazos é o aplicativo.
- C o texto aponta que os riscos recaem sobre "jovens negros", ou seja, a ocupação reproduz desigualdades em vez de amenizá-las.
- E trabalho por aplicativo não tem estabilidade: não há contrato de emprego nem garantia de renda.
A armadilha: o erro mais provável é marcar B, pela ideia difundida de que o entregador "faz o próprio horário". O texto desmonta essa ideia ao mostrar que as condições de trabalho são fixadas pelo algoritmo.
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