Insper 2026.2Questão 44de 60A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, o projeto de lei que altera o nome da Rua Peixoto Gomide
Filosofia e SociologiaA Fundação da Sociologia: Ordem, Ciência e Coesão Social
Numeração da versão 1.
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, o projeto de lei que altera o nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide. O projeto tem como objetivo promover reparação histórica e dar visibilidade às vítimas de feminicídio. Em 1906, Peixoto Gomide assassinou a própria filha, Sophia Gomide, por não concordar com seu casamento, e cometeu suicídio em seguida. Em 1914, ele foi homenageado com o nome da rua pela Câmara Municipal. “Ao dar o nome de Sophia Gomide a essa rua, nós dizemos, de forma clara, de que lado estamos: do lado das vítimas, da memória, da dignidade e da vida das mulheres”, afirmou uma das autoras do projeto.
(Ana Clara Machado e Julia Naspolini. www.cnnbrasil.com.br, 18.03.2026. Adaptado.)
Considerando o excerto, a decisão de alterar o nome da rua e a explicação desta decisão demonstram que as instituições sociais
- Alternativa A: substituem os debates públicos por decisões administrativas.
- Alternativa B: impedem a revisão de decisões tomadas pelas gerações anteriores.
- Alternativa C: mantêm as mesmas referências simbólicas ao longo do tempo.
- Alternativa D: atuam de forma independente das transformações sociais.
- Alternativa E, a correta: reproduzem valores compartilhados na sociedade em diferentes momentos históricos.Resposta
O que a questão pede: o que o caso da rua revela sobre o funcionamento das instituições sociais.
Onde está no texto: a mesma instituição, a Câmara Municipal, aparece em dois momentos. Em 1914, homenageia Peixoto Gomide, que havia matado a filha. Em 2026, aprova a troca do nome para o da vítima, declarando estar "do lado das vítimas, da memória, da dignidade e da vida das mulheres".
Por que é a letra E: as instituições expressam os valores que predominam na sociedade de cada época. No começo do século XX, o prestígio público de um homem pesava mais do que a violência cometida contra a filha, e a homenagem foi possível. Hoje, com o feminicídio reconhecido como crime e a violência contra a mulher tratada como problema público, a mesma Câmara refaz a homenagem. Nos dois momentos a instituição reproduz o que a sociedade do seu tempo valoriza; como os valores mudaram, o símbolo mudou.
Por que as outras não:
- A a mudança passa por projeto de lei e votação, que são formas de debate público, e nasce de uma discussão social sobre feminicídio.
- B o caso é justamente a revisão de uma decisão tomada por outra geração.
- C a referência simbólica foi trocada: sai o nome do agressor, entra o da vítima.
- D a decisão acompanha uma transformação social, a mudança na forma de ver a violência contra a mulher.
A armadilha: o erro mais provável é estranhar o verbo "reproduzem" na letra E, que parece indicar permanência, e por isso descartá-la. O que as instituições reproduzem são os valores de cada momento: os de 1914 naquela data, os atuais agora. As letras B, C e D afirmam que nada muda, e o texto conta uma mudança.
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