FGV 2025.2Questão 18de 603. Políticos sempre tentaram manipular as populações para conseguir votos. Entretanto, de uns anos para cá, descobriram

LinguagensInterpretação de texto

Numeração da prova tipo 1.

Texto das questões 17 a 21

Somos escravos de nossos desejos e medos

  1. Somos guiados pelos nossos sentimentos! Entre emoções como alegria, ansiedade, empatia, tédio e excitação, duas são fundamentais para compreender esses tempos complexos: o desejo e o medo.
  2. Desejar não é apenas querer algo ou alguém. É algo muito mais intenso e visceral! É um sentimento extremamente poderoso, que nos impulsiona e nos faz tomar decisões. Já o medo funciona em sentido contrário. Ele nos paralisa e impede de fazer escolhas.
Mesmo texto:1718192021
  1. Políticos sempre tentaram manipular as populações para conseguir votos. Entretanto, de uns anos para cá, descobriram que, se conseguissem se concentrar nesses dois sentimentos, trocariam eleitores por soldados dispostos a defender seus ideais contra tudo e todos. Essa é uma prática extremamente perigosa, pois pode estraçalhar o tecido social. Ainda assim, fizeram isso sem pestanejar!
  2. Nosso cérebro é fabuloso! Com ele, tomamos nossas decisões. Entretanto, por mais racional que seja uma escolha, ela pode ser profundamente influenciada por emoções, como se os sentimentos fossem ingredientes dela. Esse é, aliás, o princípio dos “gatilhos mentais”, recursos dos quais equipes de marketing vêm abusando nos últimos anos, para que consumidores “escolham racionalmente” produtos a partir de emoções “plantadas” em suas cabeças pelas campanhas publicitárias.
  3. De volta à realidade um tanto distópica em que estamos imersos, as redes sociais desempenham papéis fundamentais para que os políticos manipulem as massas. O primeiro deles é ajudá-los a descobrir o que as pessoas desejam e do que elas têm medo em dado momento.
  4. A outra função dessas plataformas é servir de veículo para disseminar, em gigantesca quantidade, suas mensagens. Elas são cuidadosamente produzidas para que as pessoas vejam, em determinado candidato, aquele que viabilizará seus desejos e os protegerá de seus medos. Logo, quem domina o meio digital tem mais chance de transformar suas ideias em “verdades”.
  5. Faz todo sentido, portanto, que “pós-verdade” tenha sido escolhida como a palavra do ano de 2016 pelo renomado Dicionário Oxford. Pela sua definição, o termo é “relativo ou referente a circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e as crenças pessoais”. Ou seja, as pessoas hoje preferem acreditar naquilo que esteja em linha com seus desejos, por mais que seja uma invenção escandalosa.
  6. Disso vêm as fake news. Elas deliberadamente mentem para que determinado grupo atinja seus objetivos, manipulando as emoções da população. E não se trata de simples boatos, pois são produzidas com método, impactando primeiro aqueles que gostariam que aquilo fosse verdade: isso aumenta seu engajamento inicial, o que leva os algoritmos das redes sociais a distribuir a mentira em grande quantidade.
  7. Políticos que usam esse método trabalham com o medo da população, pois ele é capaz de travar as pessoas e deixá-las cegas. E, uma vez que elas ultrapassem determinado limiar de ódio e de medo, são facilmente controláveis.
  8. Nossas emoções nos definem! Precisamos ter consciência de nossos sentimentos para aprender e crescer com eles, e não ser dominados a partir deles.

Paulo Silvestre, https://www.estadao.com.br/31/10/2022. Adaptado.

“De volta à realidade um tanto distópica em que estamos imersos”. (5.º parágrafo) Nesse trecho, referindo-se ao momento atual, o autor

  1. Alternativa A, a correta: expressa uma visão parcialmente negativa.Resposta
  2. Alternativa B: alude à estagnação da tecnologia.
  3. Alternativa C: ratifica o otimismo que o caracteriza.
  4. Alternativa D: subestima a importância das redes sociais.
  5. Alternativa E: destaca sua importância histórica.
Resolução do Jazz

Pede-se o que o autor expressa sobre o momento atual em "De volta à realidade um tanto distópica em que estamos imersos".

O sentido de "distópica":

Distopia é o oposto da utopia: uma sociedade imaginada sob opressão, controle ou desespero. Chamar o presente de distópico é avaliá-lo negativamente, e o texto confirma essa visão ao descrever políticos que manipulam "as massas", "fake news" e pessoas "facilmente controláveis".

O peso de "um tanto":

"Um tanto" atenua o adjetivo: a realidade não é plenamente distópica, é parcialmente. Daí a visão negativa, mas moderada.

Conferindo a alternativa:

A) "expressa uma visão parcialmente negativa": "distópica" dá o negativo; "um tanto" dá o parcial. Correta.

B) "alude à estagnação da tecnologia": o texto mostra o contrário, as redes sociais "desempenham papéis fundamentais". Incorreta.

C) "ratifica o otimismo que o caracteriza": "distópica" é a negação do otimismo. Incorreta.

D) "subestima a importância das redes sociais": no mesmo período, o autor diz que elas "desempenham papéis fundamentais". Incorreta.

E) "destaca sua importância histórica": o trecho avalia o presente, não fala de importância histórica. Incorreta.

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Interpretação de texto

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