FGV 2025.2Questão 19de 60No 4.º parágrafo, o autor usou aspas na expressão “gatilhos mentais” para sugerir que se trata de linguagem
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Numeração da prova tipo 1.
Texto das questões 19 a 21
Somos escravos de nossos desejos e medos
- Somos guiados pelos nossos sentimentos! Entre emoções como alegria, ansiedade, empatia, tédio e excitação, duas são fundamentais para compreender esses tempos complexos: o desejo e o medo.
- Desejar não é apenas querer algo ou alguém. É algo muito mais intenso e visceral! É um sentimento extremamente poderoso, que nos impulsiona e nos faz tomar decisões. Já o medo funciona em sentido contrário. Ele nos paralisa e impede de fazer escolhas.
- Políticos sempre tentaram manipular as populações para conseguir votos. Entretanto, de uns anos para cá, descobriram que, se conseguissem se concentrar nesses dois sentimentos, trocariameleitores por soldados dispostos a defender seus ideais contra tudo e todos. Essa é uma prática extremamente perigosa, pois pode estraçalhar o tecido social. Ainda assim, fizeram isso sem pestanejar!
- Nosso cérebro é fabuloso! Com ele, tomamos nossas decisões. Entretanto, por mais racional que seja uma escolha, ela pode ser profundamente influenciada por emoções, como se os sentimentos fossem ingredientes dela. Esse é, aliás, o princípio dos “gatilhos mentais”, recursos dos quais equipes de marketing vêm abusando nos últimos anos, para que consumidores “escolham racionalmente” produtos a partir de emoções “plantadas” em suas cabeças pelas campanhas publicitárias.
- De volta à realidade um tanto distópica em que estamos imersos, as redes sociais desempenham papéis fundamentais para que os políticos manipulem as massas. O primeiro deles é ajudá-los a descobrir o que as pessoas desejam e do que elas têm medo em dado momento.
- A outra função dessas plataformas é servir de veículo para disseminar, em gigantesca quantidade, suas mensagens. Elas são cuidadosamente produzidas para que as pessoas vejam, em determinado candidato, aquele que viabilizará seus desejos e os protegerá de seus medos. Logo, quem domina o meio digital tem mais chance de transformar suas ideias em “verdades”.
- Faz todo sentido, portanto, que “pós-verdade” tenha sido escolhida como a palavra do ano de 2016 pelo renomado Dicionário Oxford. Pela sua definição, o termo é “relativo ou referente a circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e as crenças pessoais”. Ou seja, as pessoas hoje preferem acreditar naquilo que esteja em linha com seus desejos, por mais que seja uma invenção escandalosa.
- Disso vêm as fake news. Elas deliberadamente mentem para que determinado grupo atinja seus objetivos, manipulando as emoções da população. E não se trata de simples boatos, pois são produzidas com método, impactando primeiro aqueles que gostariam que aquilo fosse verdade: isso aumenta seu engajamento inicial, o que leva os algoritmos das redes sociais a distribuir a mentira em grande quantidade.
- Políticos que usam esse método trabalham com o medo da população, pois ele é capaz de travar as pessoas e deixá-las cegas. E, uma vez que elas ultrapassem determinado limiar de ódio e de medo, são facilmente controláveis.
- Nossas emoções nos definem! Precisamos ter consciência de nossos sentimentos para aprender e crescer com eles, e não ser dominados a partir deles.
Paulo Silvestre, https://www.estadao.com.br/31/10/2022. Adaptado.
No 4.º parágrafo, o autor usou aspas na expressão “gatilhos mentais” para sugerir que se trata de linguagem
- Alternativa A: coloquial.
- Alternativa B: arcaica.
- Alternativa C: geracional.
- Alternativa D, a correta: técnica.Resposta
- Alternativa E: regional.
O que a questão pede: o que as aspas em "gatilhos mentais" (4.º parágrafo) sinalizam sobre o tipo de linguagem da expressão.
Por que é a letra D: o próprio trecho situa a expressão: "Esse é, aliás, o princípio dos 'gatilhos mentais', recursos dos quais equipes de marketing vêm abusando nos últimos anos". As aspas marcam que o autor toma emprestado um termo específico de uma área profissional, o marketing e a publicidade. É, portanto, jargão, linguagem técnica de um campo de atuação, e não vocabulário comum do autor.
Por que as outras não:
- A Coloquial é a linguagem informal do dia a dia; a expressão vem de um vocabulário especializado.
- B Arcaica é linguagem em desuso; o texto diz o contrário, que o recurso é usado "nos últimos anos".
- C Geracional seria gíria de uma faixa etária; nada no texto liga a expressão a uma geração.
- E Regional seria típica de uma região geográfica; a expressão pertence a uma área profissional, não a um lugar.
A armadilha: ler as aspas só como marca de informalidade. Aspas também servem para indicar termo alheio ao registro do autor, e aqui o contexto (equipes de marketing) mostra de onde ele vem.
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