FGV 2025.2Questão 48de 60A série “Pardo é Papel” do artista carioca Maxwell Alexandre começou com colagens, pinturas e desenhos no papel pardo

Filosofia e SociologiaRaça, Gênero e Sexualidade: A Produção Social das Hierarquias

Numeração da prova tipo 1.

Figura da questão 48

Maxwell Alexandre, sem título, 2021, de “Pardo é Papel: New Power”, graxa de sapato, betume, carvão, grafite, látex, acrílico e bastão de óleo sobre papel.

A série “Pardo é Papel” do artista carioca Maxwell Alexandre começou com colagens, pinturas e desenhos no papel pardo. Nesse processo, o artista percebeu o ato político e conceitual que estava articulando ao pintar corpos negros sobre a superfície do papel, uma vez que a “cor” parda foi usada durante muito tempo para indicar veladamente a negritude. A respeito da reflexão artística e social suscitada pela obra de Maxwell Alexandre, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

( ) Historicamente, o termo “pardo”, presente no título da série, tem duplo significado: como o tipo de papel, mas também como uma categoria racial do censo brasileiro.
( ) A categoria “pardo” é questionada por se basear nos tons de pele e não na ancestralidade, diminuindo a identidade negra dentro da população brasileira, uma vez que reduz a porcentagem de cidadãos que se identificam como negros.

( ) A obra tematiza a importância da autodeclaração como instrumento identitário e reivindica que se reconhecer como “pardo” não é necessariamente negativo, sobretudo em uma sociedade miscigenada, racial e culturalmente, como a brasileira.

A sequência correta, na ordem apresentada, é

  1. Alternativa A: F – V – V
  2. Alternativa B, a correta: V – V – FResposta
  3. Alternativa C: V – F – F
  4. Alternativa D: V – F – V
  5. Alternativa E: V – V – V
Resolução do Jazz

O que a questão pede: julgar três afirmativas sobre a reflexão artística e social da série "Pardo é Papel", de Maxwell Alexandre, e indicar a sequência de verdadeiro e falso.

Por que é a letra B (V, V, F):

  • Primeira: verdadeira. O título joga com os dois sentidos da palavra: "pardo" é o papel que serve de suporte às pinturas e é também a categoria de cor usada no censo brasileiro. É esse duplo sentido que dá força conceitual à série.
  • Segunda: verdadeira. O enunciado diz que o pardo "foi usado durante muito tempo para indicar veladamente a negritude". A crítica à categoria vai nessa linha: ao classificar pelo tom de pele, e não pela origem, ela dilui a identidade negra e faz parecer menor o número de pessoas que se reconhecem como negras.
  • Terceira: falsa. A obra não defende que se reconhecer como pardo é algo positivo numa sociedade miscigenada. Ao pintar corpos negros sobre o papel pardo, o artista faz o movimento contrário: expõe que o "pardo" escondia a negritude e afirma essa negritude. A ideia de miscigenação como valor que dispensa a identidade negra é justamente o que a série questiona.

Por que as outras não:

  • A marca a primeira como falsa, mas o duplo sentido do título está no próprio enunciado.
  • C marca a segunda como falsa, ignorando que a série parte da crítica ao "pardo" como forma velada de negritude.
  • D marca a segunda como falsa e a terceira como verdadeira, invertendo o sentido da obra.
  • E aceita a terceira, que contradiz a proposta do artista.

A armadilha: a terceira afirmativa fala em "autodeclaração" e "identidade", palavras que soam alinhadas ao tema, mas conclui o oposto do que a obra propõe.

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