FGV 2025.2Questão 50de 60Observe a imagem a seguir e leia o trecho que a descreve. A pintura retrata o cortejo de uma rainha no Rio de Janeiro
HistóriaSociedade colonial economia açucareira, patriarcalismo e cultura
Numeração da prova tipo 1.
Observe a imagem a seguir e leia o trecho que a descreve.

Fonte: JULIÃO, Carlos. Coroação de uma rainha negra na festa de reis s/d. Fundação Biblioteca Nacional.
A pintura retrata o cortejo de uma rainha no Rio de Janeiro. Anualmente, irmandades realizavam o cortejo do rei e da rainha de suas respectivas “nações”, em uma festa que recebia o aval do poder público e da Igreja Católica. Como ocorria nesse tipo de festividade, além da própria coroação, outros elementos de culturas africanas estavam presentes, como os instrumentos musicais, os tecidos e o para-sol. A festa de coroação dos “reis e rainhas africanos” e as procissões das irmandades negras eram exemplos de como o mundo citadino servia como palco para espetáculos em que a escravidão transatlântica era suspensa, dando lugar à rememoração das comunidades originárias ou à imaginação de Áfricas muitas vezes inexistentes.
Adaptado de SANTOS, Ynaê L. dos. Irmãs do Atlântico. Escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1763-1843). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2025, p. 107-108.
Assinale a opção que descreve corretamente essa celebração e seu papel na vida dos grupos mencionados.
- Alternativa A: Reuniões organizadas com o propósito de denunciar e tornar públicas a violência da escravidão africana perante os moradores urbanos.
- Alternativa B: Eventos de contestação e afronta ao catolicismo como religião da monarquia portuguesa, nos quais se defendia o reconhecimento das demais crenças religiosas.
- Alternativa C: Intervalos de descontração durante o trabalho escravo, com o objetivo de preservar e reproduzir as tradições religiosas africanas autênticas.
- Alternativa D, a correta: Ambientes de encenação popular que resgatavam e reproduziam um passado idealizado e valorizado por esses grupos.Resposta
- Alternativa E: Espaços de expressão cênica utilizados como forma de denúncia, diante da condição de inferioridade jurídica vivenciada por esse grupo.
O que a questão pede: descrever corretamente a festa de coroação de reis e rainhas negros no Rio de Janeiro colonial e o papel que ela tinha para os grupos envolvidos, com base na pintura e no texto de Ynaê Lopes dos Santos.
Por que é a letra D: o texto diz que, nessas festas, a cidade servia de palco para espetáculos em que a escravidão era "suspensa", dando lugar "à rememoração das comunidades originárias ou à imaginação de Áfricas muitas vezes inexistentes". Ou seja, eram encenações públicas que recuperavam e representavam um passado africano idealizado, valorizado pelas irmandades. A alternativa D descreve exatamente isso.
Por que as outras não:
- A O texto não apresenta a festa como denúncia da violência da escravidão; ao contrário, fala de um momento em que a escravidão ficava suspensa.
- B A festa tinha o aval do poder público e da Igreja Católica e era organizada por irmandades, que eram associações católicas. Não era afronta ao catolicismo.
- C A alternativa fala em preservar tradições africanas "autênticas", mas o texto diz que se imaginavam "Áfricas muitas vezes inexistentes". Também não se trata de pausa informal no trabalho, e sim de uma festa anual e oficializada.
- E Assim como A, atribui à festa um caráter de denúncia que o texto não sustenta.
A armadilha: as alternativas de "denúncia" e "contestação" parecem valorizar a resistência dos escravizados, mas o texto enfatiza a celebração autorizada e a memória reinventada, não o protesto.
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