FGV 2025.2Questão 53de 60Observe a imagem a seguir. A charge retrata Emílio Garrastazu Médici (presidente de 1970 a 1974) escrevendo um documento
HistóriaDitadura Militar: do milagre à abertura
Numeração da prova tipo 1.
Observe a imagem a seguir.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 21/4/1970. Biganti
A charge retrata Emílio Garrastazu Médici (presidente de 1970 a 1974) escrevendo um documento intitulado “Sucessão”. À sua direita, um personagem representando o MDB tenta sussurrar algo em seu ouvido; à esquerda, outro personagem, representando a ARENA, faz o mesmo. Ambos os ouvidos do presidente, no entanto, estão tampados. Analise as afirmativas a seguir sobre as críticas expressas na charge em relação ao governo Médici, no contexto da sucessão presidencial. I. Critica a resistência do Governo Médici em incorporar a participação dos partidos políticos nas decisões políticas, uma marca do autoritarismo do regime. II. Contesta o bipartidarismo como resposta suficiente diante dos desafios enfrentados no processo de abertura democrática que o governo Médici promoveu. III. Reprova a censura à imprensa, marca do governo Médici, que impedia os meios de comunicação de atuar como mediadores entre a vontade popular e o poder político na sucessão presidencial.
Está correto o que se afirma em
- Alternativa A, a correta: I, apenas.Resposta
- Alternativa B: I e II, apenas.
- Alternativa C: I e III, apenas.
- Alternativa D: II e III, apenas.
- Alternativa E: I, II e III.
O que a questão pede: avaliar três leituras da charge em que Médici escreve a "Sucessão" com os ouvidos tampados, enquanto ARENA e MDB tentam falar com ele.
Por que é a letra A:
- I está correta. Os dois partidos permitidos pelo regime tentam ser ouvidos, e o presidente não escuta nenhum deles. A charge critica exatamente isso: a sucessão é decidida pelo presidente e pela cúpula militar, sem espaço para os partidos, o que é uma marca do autoritarismo do período.
- II está incorreta. O governo Médici não promoveu abertura democrática. Foi o período mais duro da ditadura, com o AI-5 em pleno vigor e forte repressão. A abertura "lenta, gradual e segura" só começou no governo seguinte, de Geisel. Além disso, a charge não discute se o bipartidarismo é suficiente; ela mostra que nem os dois partidos são ouvidos.
- III está incorreta. A censura à imprensa de fato existiu no governo Médici, mas não é o que a charge representa. Quem tenta falar com o presidente são os partidos, e não a imprensa; a crítica está na exclusão da ARENA e do MDB da decisão.
Por que as outras não:
- B e E incluem a II, que atribui a Médici uma abertura que ele não fez.
- C, D e E incluem a III, que troca o alvo da crítica da charge.
A armadilha: a III traz um fato verdadeiro sobre o período (a censura), mas a questão pergunta o que a charge critica, e a imagem não trata da imprensa.
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