Insper 2026.1Questão 11de 60Para o eu lírico, o fazer poético deve ser uma atividade
PortuguêsInterpretação de texto
Texto das questões 11 a 15
Leia o poema "Poética", de Manuel Bandeira, publicado em 1930 no livro Libertinagem.
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem-comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
[expediente protocolo e manifestações de apreço
[ao sr. diretor
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no
[dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de
[si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do
[amante exemplar com cem modelos de cartas e as
[diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare —
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
(Manuel Bandeira. Libertinagem & Estrela da manhã, 2008.)
Para o eu lírico, o fazer poético deve ser uma atividade
- Alternativa A: doutrinária.
- Alternativa B: disciplinada.
- Alternativa C: diplomática.
- Alternativa D, a correta: desregrada.Resposta
- Alternativa E: desinteressada.
O que a questão pede:
Como o eu lírico entende o fazer poético.
Onde está no poema:
Ele rejeita o lirismo "comedido", "bem-comportado", de "livro de ponto", que consulta o dicionário. Quer "todas as palavras", "todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção", "todos os ritmos", o lirismo "dos loucos" e "dos bêbados". E fecha: "Não quero mais saber do lirismo que não é libertação."
Por que é a letra D:
Poesia livre de regras, de norma e de controle: desregrada. É o programa do Modernismo que o poema defende.
Por que as outras não:
- A doutrinária e B disciplinada são justamente o que ele rejeita.
- C diplomática, de quem agrada e negocia, é o lirismo "namorador" e das "maneiras de agradar", também rejeitado.
- E desinteressada não aparece: o poema é engajado na libertação.
A armadilha:
Ler "desregrada" como algo negativo. No poema, a falta de regra é exatamente o valor defendido.
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