Insper 2026.2Questão 11de 60No poema, as estações do ano estão empregadas em sentido metafórico. Em contraste com a circularidade das estações
PortuguêsInterpretação de texto
Numeração da versão 1.
Texto das questões 10 a 15
Para responder às questões de 10 a 15, leia o poema “Quando, Lídia, vier o nosso outono” de Ricardo Reis, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa.
Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem¹,
Nem para o estio², de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa —
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(Obra poética, 1997.)
¹ outrem: outra pessoa.
² estio: verão.
No poema, as estações do ano estão empregadas em sentido metafórico. Em contraste com a circularidade das estações do ano, o eu lírico enfatiza, em relação à existência humana, seu caráter
- Alternativa A: imprevisível.
- Alternativa B: abstrato.
- Alternativa C: enigmático.
- Alternativa D: contraditório.
- Alternativa E, a correta: irreversível.Resposta
O que a questão pede: o que distingue a vida humana do ciclo das estações, segundo o poema.
Onde está no texto: "a futura Primavera, que é de outrem" e "o estio, de quem somos mortos".
Por que é a letra E: na natureza, depois do inverno a primavera volta. Para o eu lírico e Lídia, não: a próxima primavera será de outras pessoas, e para o verão eles já estão mortos. A vida humana segue em linha reta, sem retorno, da juventude para a velhice e a morte. O contrário de circular, aqui, é irreversível.
Por que as outras não:
- A O futuro é dado como certo ("Quando vier o nosso outono"), não como imprevisível.
- B O poema não trata a existência como abstrata: ancora a reflexão em imagem concreta, o amarelo das folhas.
- C Não há mistério a decifrar: o destino é claro para o eu lírico.
- D Não se aponta contradição na vida, e sim um percurso que não volta.
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