Insper 2026.2Questão 10de 60Predomina no poema de Ricardo Reis um tom
PortuguêsInterpretação de texto
Numeração da versão 1.
Texto das questões 10 a 15
Para responder às questões de 10 a 15, leia o poema “Quando, Lídia, vier o nosso outono” de Ricardo Reis, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa.
Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem¹,
Nem para o estio², de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa —
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
(Obra poética, 1997.)
¹ outrem: outra pessoa.
² estio: verão.
Predomina no poema de Ricardo Reis um tom
- Alternativa A: apático.
- Alternativa B: nostálgico.
- Alternativa C: amargurado.
- Alternativa D: indignado.
- Alternativa E, a correta: resignado.Resposta
O que a questão pede: o tom que domina o poema.
Onde está no texto: o eu lírico trata a chegada do outono (o envelhecimento) como certa ("Quando vier"), reconhece que a primavera futura "é de outrem" e que o verão já passou ("de quem somos mortos"), e propõe: "reservemos um pensamento" para "o que fica do que passa", o "amarelo atual" das folhas.
Por que é a letra E: não há queixa nem revolta. Há aceitação serena do que não se pode mudar e a escolha de dar atenção ao que o momento ainda oferece. Isso é resignação, traço central de Ricardo Reis, que aceita com calma a passagem do tempo.
Por que as outras não:
- A Apatia é indiferença. O eu lírico se importa: convida Lídia a guardar um pensamento para o presente.
- B Nostalgia é saudade do passado. O poema recusa expressamente pensar no estio que passou.
- C Não há amargura: o amarelo das folhas é valorizado, não lamentado.
- D Não há protesto contra o tempo ou contra o destino.
A armadilha: o erro mais provável é a letra B, porque o poema fala de tempo que passa. O eu lírico, porém, manda não pensar no verão.
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