FGV 2026.1Questão 29de 60Na ânsia de reconquistar “as mortas estações” e de reger os tempos futuros, esse movimento dinamizou grandes mitos
LinguagensLinha do tempo das fases literárias
Numeração da prova tipo 1.
Na ânsia de reconquistar “as mortas estações” e de reger os tempos futuros, esse movimento dinamizou grandes mitos: a nação e o herói.
A nação afigura-se ao patriota desse século como uma ideia-força que tudo vivifica. Floresce na História, ressureição do passado e retorno às origens. Acendra-se o culto à língua nativa e ao folclore, novas bandeiras para os povos que aspiram à autonomia, como a Grécia, a Itália, a Bélgica, a Polônia, a Hungria, a Irlanda. Para algumas nações nórdicas e eslavas e, naturalmente, para todas as nações da América, será o momento da grande afirmação cultural. Mazzini, apóstolo da unidade italiana, viu bem o próprio século: “hora do advento das nações”.
Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira.
O excerto refere-se ao amplo movimento da cultura que teve, na ideia de nação, uma ideia-força, a unir estética e política, seja no Brasil, em particular, seja em muitos outros países.
O referido movimento é o
- Alternativa A: Neoclassicismo
- Alternativa B, a correta: RomantismoResposta
- Alternativa C: Modernismo
- Alternativa D: Naturalismo
- Alternativa E: Simbolismo
O excerto descreve um movimento cultural que quis "reconquistar as mortas estações", "reger os tempos futuros" e que dinamizou dois grandes mitos, a nação e o herói, unindo estética e política. A questão pede a identificação desse movimento.
Lendo as pistas do excerto:
São três marcas, e as três apontam para a mesma direção:
- "reconquistar as mortas estações", uma volta ao passado, a um tempo idealizado que se quer ressuscitar;
- os mitos da nação e do herói, a pátria como valor e uma figura heroica que a encarna;
- a união entre estética e política, a literatura a serviço de um projeto de país.
Recuperando o contexto:
Esse é o programa do Romantismo, movimento do século XIX. Na Europa, ele buscou o passado medieval (as "mortas estações") como origem das nacionalidades, com seus cavaleiros e lendas. No Brasil, depois da Independência de 1822, o país precisava inventar um passado próprio e um herói fundador, e o encontrou no indianismo: o índio no lugar do cavaleiro medieval, como em I-Juca-Pirama e Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, e em O Guarani e Iracema, de José de Alencar. Literatura e construção da nacionalidade caminhavam juntas, exatamente a união de "estética e política" do excerto.
Analisando cada alternativa:
A) Incorreta. O Neoclassicismo (Arcadismo, século XVIII) volta-se aos modelos greco-latinos, ao equilíbrio, à razão e ao bucolismo pastoril ("fugere urbem"). Não constrói mito nacional nem culto ao herói pátrio.
B) Correta. Romantismo: retomada de um passado idealizado, nacionalismo, culto ao herói e vínculo explícito entre projeto estético e projeto político de nação.
C) Incorreta. É o distrator mais forte, porque o Modernismo também discute a nação, mas de modo oposto ao descrito. Em 1922 a Semana de Arte Moderna rompe com o passado e com a tradição, e trata o país por meio da crítica, da ironia e da antropofagia (Macunaíma é um "herói sem nenhum caráter", isto é, a negação do herói). Não há "ânsia de reconquistar as mortas estações", há vontade de romper com elas.
D) Incorreta. O Naturalismo é cientificista e determinista: explica o comportamento humano por raça, meio e momento, observando a sociedade como um patologista. Não trabalha mitos nem heróis nacionais.
E) Incorreta. O Simbolismo é subjetivo, místico e musical, voltado ao inconsciente e ao sugerido. É um movimento de fuga do mundo social, não de projeto nacional.
Conferindo a alternativa:
O movimento que une passado idealizado, mito da nação, culto ao herói e projeto político é o Romantismo, que corresponde à alternativa B.
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